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Adriana Salituro

GIGANTE EM BÚZIOS

GIGANTE EM BÚZIOS

Dois metros, quarenta e seis centímetros e meio. Esse é o tamanho do turco Sultan Kosen, o homem mais alto do mundo de acordo com o livro dos recordes, o Guinness Book. Até aí nada demais, não fosse o convite de O Perú Molhado para o grandão conhecer Búzios. Ele topou.

De acordo com as informações que tive do meu editor, ele vem mesmo. Porém, o Marcelo também disse que o Jornal seria distribuído como encarte no JB. Deu no que deu. Meu medo é de o homem diminuir de tamanho só pra se livrar do Marcelo assim que chegar à cidade. Ele pode até ficar curado da doença, uma disfunção na glândula pituitária, que o deixou com esse tamanho todo. Se O Perú faz milagre toda semana pra rodar, não duvido nada. É São Perú agindo.

O homem mais alto do mundo, ex-jogador de basquete (claro!), tem também a maior mão do mundo e o maior pé. Se o que dizem da relação pé e o, deixa pra lá... Será que é casado? Provavelmente sim. Caso seja um solteiro animado, vamos pedir a Jontex uma hipercamisinha para o moço se divertir na cidade. Vai rolar uma fila de curiosas. Dá uma mídia e tanto!

Estive pensando nos problemas que esse moço poderá ter e causar em Búzios. Pegar taxi será difícil, mas com apenas dois passos vai de João Fernandes até a Rasa arrastando os fios dos postes no caminho. Blackout na cidade.

A cama quem está providenciando é o Hélio Pellegrino, vamos ver o que o criativo arquiteto vai bolar além do tamanho GGGGGGG. Prometo ir contando os detalhes da produção desse evento à medida, sem redundância, que tudo for acontecendo.

Meu medo é o Marcelo pedir patrocínio do Porto da Barra. Se tudo do cara é grande, imaginem o estômago... Quantos litros de água toma por dia? Quantos filés no Bar do Mangue seriam consumidos para saciar sua fome? E se ele preferir lagosta e champanhe? E a reciclagem disso tudo? Com os problemas que já enfrentamos com o esgoto na cidade...

 

Charme, estilo, o que foi feito de Búzios?

Charme, estilo, o que foi feito de Búzios?

No começo eu não sei. Sou bem mais moça que a Brigitte Bardot. Ainda.

Quando conheci Búzios tinha 10 anos e sei que a moda era usar tanga. Lembro disso por conta do mal estar provocado por uma moça, de biquíni bem pequeno, entre minha tia e meu tio, na Praia dos Ossos. A praia da moda era essa, mas criança está em outra e eu não era frequentadora da cidade. Sei que o Castejá servia champanhe na varanda da Pousada dos Hibiscos. A moda era ir pra lá.

Depois, nos anos 80... Ah, que delícia! Jogava frescobol sem sutiã em Geribá, e achava o máximo da liberdade! Na verdade, nunca gostei de esporte. Era só onda pra acompanhar namorado e mostrar que vergonha de ficar pelada eu não tinha. Também era moda ter coragem, discutir política e se preparar para mudar o regime. Como continuo sem vergonha e corajosa até hoje, quem mudou foi Geribá. A Luiza, a Brunet passou anos tomando sol com seus peitos lindos em frente à casa do Heitor. Ninguém olhava porque era, e sempre será muito provinciano reparar em artista. Os buzianos nunca pagaram esse mico. O povo daqui nunca foi cafona e o Pelé podia andar tranquilo na Rua das Pedras. Hoje, alguns visitantes e moradores estão querendo dar outra cara pra cidade. Mudou muito. Se alguma garota aparecer sem sutiã na praia, a bregalhada vai bater na menina até matar. As mulheres, com certeza as feias e inseguras, serão as primeiras a chamar de puta! Eu já vi um povo estranho voando em cima do Ronaldinho. Morri de vergonha. Tive vontade de dizer que aquele pessoal não era daqui e pedir desculpas.

Bem, a década de 80 não foi exatamente elegante. Era over pra caramba e a gente nem percebia. Também, depois de tanto hippie mal vestido na década anterior, a gente tinha mais é que exagerar no batom, no salto e no brilho. Ser sexy era tudo! Também era moda cuidar da saúde e malhar. Vai ver que por isso somos as quarentaças e cinquentérrimas de hoje. Sem modéstia. Manter tudo em cima também está na moda.

Lembro que Búzios era o lugar onde mais se via gente bonita nesse país. A juventude dourada carioca, bem nascida e descolada, vinha pra cá nos finais de semana e o bicho pegava. Todo mundo pegava todo mundo. Era moda. Não tinha essa de passar a noite beijando a rua inteira na boca e voltar sozinha pra casa. Que nojo! E também que cortada de onda! Cada um segurava o seu par e finalizava. Sexo era moda. Tinha pílula e a AIDS estava apenas começando. Nossa geração, como a anterior, viveu o sexo sem pecado e sem medo. Livre de verdade.

Era sol o dia inteirinho. A moda era ser bem bronzeada. Nem o rosto era protegido! A gente dormia à tardinha e produzia a roupa com cara de "nem me arrumei, sou linda assim mesmo!" pra andar na rua do vaivém à noite. As lojas ficavam abertas até de madrugada. Yes Brasil, Benetton, Aqualung, Bee. Quem lembra da Abracadabra? Adorava aquela loja, linda!

Foi nessa época que Búzios bombou mesmo. Já tínhamos muitos restaurantes especiais. E, o Stéfano Monti, do Le Streghe, trazia trufas brancas da Itália, quando nem se falava nisso! Os gringos ensinaram muita coisa boa pra gente. Logo depois, com a liberação dos importados, pipocavam carros maravilhosos em cima da calçada com gente bacana saindo de dentro. A moda então era pensar na emancipação da cidade.

Esse negócio de dizer que sandália havaiana era tudo e que rico vinha aqui para brincar de pobre é papo borracha. Só quem é verdadeiramente charmoso fica chique de havaianas fora da praia. Quem é brega fica pior ainda! Pisa na merda total. É preciso cuidado, espelho, bom senso e semancol. Que eu saiba, e me lembre, ninguém fingia ser pobre, isso é lenda. Pelo contrário, tinha duro fingindo ser rico para acompanhar um ou outro milionário. Se o Zé Itajahy era dono da Bibba, em Ipanema, e fazia parte do grupo que ditava o que era moda e estilo nos anos 70, para ser aceito naquele pequeno grupo, só sendo transado mesmo!

A cidade cresceu muito e apareceu na mídia mais do que deveria. Tem o lado bom e o ruim disso, claro. Mas, o momento é sempre hoje e o nosso marketing é, justamente, o charme. Isso a gente precisa lutar para não perder.

É educado acompanhar os hábitos do anfitrião. Eu, quando sou convidada, se vejo sapatos na porta, tiro os meus antes de entrar. Se ele rezar antes das refeições eu também rezo. Por isso não entendo o cara que fica louco para conhecer Búzios, diz que adora isso aqui e chega jogando lixo no chão, cagando na praia, construindo três andares! Não vieram aqui para ser bonitos e chiques? Pra fazer parte do cenário? Temos que ajudar! Se eu fosse Prefeita distribuiria um papelzinho na entrada da cidade sugerindo o in e o out em Búzios. E isso, não define rico e pobre. Porque rico quando dá pra ser cafona... Ganha disparado com o tal do mau gosto requintado!

Sandália alta pode e deve. De salto grosso, claro. Em qualquer praia do Mediterrâneo as mulheres usam até com shortinho. É sexy sem ser vulgar porque só as magras fazem isso. É essa a diferença: ser magro é o primeiro sinal de elegância. Portanto, querida, tá fora do peso? Faz outro estilo pra ficar mais bonita. Roupa larga e engraçada pode deixá-la mais sexy. Experimenta se olhar no espelho toda apertadinha com os pneus pulando da cintura... Se achar bonito é porque perdeu a noção mesmo. Vou ser sincera: você tá parecendo um embutido da Sadia. Mas, vão te comer, claro. Quanto a isso não se preocupe. Tem homem que adora e até exige!

Cabelo mal pintado também é o fim. Não chegue em Búzios assim não, por favor! Quer ser loura de farmácia? Capricha minha filha. Capricha mesmo. Porque esse pode ser o primeiro sinal de cafonice. Se ainda tiver com o formol... Por mais linda que você seja nunca sairá na capa da Vogue. Nem no Perú Molhado, lamento. Bem, no Perú, só se comprar a capa. Mas, tem que pagar e vai custar mais caro. Esse argentino topa tudo por dinheiro!

Bonito e elegante é saber pisar. Queixo paralelo ao chão, ombros no lugar, e nunca, nunca, nunca mesmo caminhar com os joelhos dobrados para se equilibrar no salto. Aí, é melhor calçar as legítimas havaianas, amarrar um paninho colorido na cintura, sorriso e flor no cabelo. Entendeu?

E, definitivamente, homem com pochette é um breve contra a luxúria. Quanto maior, mais cheia, mais desesperador. Eu viro o rosto, me recuso a olhar uma cena dessas. Não tem onde guardar as coisas? Mochila, querido. Você vai ficar uma graça! Faz um bem para as mulheres olhar para um homem charmoso...

E, por favor, cortem as palavras menas e meia. Menas porque não existe. E meia é aquilo que a gente coloca no pé. Para definir um pouco é diferente. Por exemplo: estou meio cansada de ouvir tantos erros. Falar português direito sempre estará na moda. Porque chique mesmo é, pelo menos, parecer inteligente.

INHOTIM

INHOTIM

É esse o lugar. Lugar aonde a nossa percepção vai além. Aonde sentimos o que vemos porque percebemos com o olhar da alma. Uma viagem. Até Brumadinho, Minas Gerais, sô!

E a gente vai caminhando entre 1500 espécies de palmeiras e as mais diversas plantas idealizadas por Burle Max, inicialmente. Aos poucos, lá pelos anos 80, o dono, Bernardo Paz foi criando seu acervo botânico particular.

E fez do seu universo particular uma mistura de obra da natureza, bem disposta, com a arte humana. Ficou tudo tão, mais tão, tão, tão bonito que ele abriu para o mundo todo ver. Indescritível. Só indo lá pra ver. E sentir.

Os curadores escolheram mais de 100 artistas do mundo todo. São 30 nacionalidades. O espaço de 100 hectares foi cuidadosamente projetado para integrar as obras com o meio ambiente. O resultado, um verdadeiro espetáculo!

Cildo Meireles impressiona com o Através. Aos pisar em cacos de vidro, em espaço de um labirinto montado por obstáculos transparentes, pensamos nas barreiras que, sem perceber, criamos dentro de nós. O Inmensa te faz ver o óbvio: muitos são os que fazem o alicerce para poucos subirem na escala social.

Adriana Varejão apresenta na sua galeria, Celacanto Provoca Maremoto. Lindo de gritar. E a delicadeza de Passarinhos? Dá vontade de ficar ali. Parada com cara de boba.

Tunga, Edgar de Souza, Hélio Oiticica, Yayol Kusama, são tantos que fica difícil contar tudo que vi. O americano Doug Aitken fez a trilha sonora do interior da terra. Assim: cavou 200 metros e fixou microfones lá embaixo. Na sala de vidro, com 360° de natureza pra gente ficar perplexo, vem um som louco, forte, de terra gritando. Olhei para o buraco esperando ver um fundo comprido e preto. Mas, vi o céu refletido no vidro vindo de outro buraco aberto no teto. Demais!

A integração arte e natureza é tão perfeita que fiquei sem saber do que mais gostei. Vídeos, pinturas, esculturas, obras ao ar livre, sobre as águas, de todo jeito estão dispostas em perfeito equilíbrio. E, outras galerias estão sendo construídas. Algumas obras são permanentes, outras temporárias. Por isso, temos que voltar sempre ao Inhotim.

Gostaria de dar mais detalhes. Falar das vigas de ferro jogadas pelo americano Chris Burden em uma grande poça de cimento; do True Rouge de Tunga; do Continente Nuvem de Rivane Neuenschwander...

Visitem o Inhotim. Depois me contem.

Que vizinha é essa?

Que vizinha é essa?

Nossa vizinha está em festa. Não, a Argentina não ganhou a Copa. Isola. Toc, toc, toc! Mas, como os brasileiros, eles também já esperam naturalmente por isso. Não é privilégio nosso essa autoconfiança.

A Revolução de Maio, o início do processo da independência argentina da Espanha, completa 200 anos e eles estão em festa. Conquistaram a liberdade e perderam a chance de fazer parte da Comunidade Européia! Se eles tivessem bola de cristal jamais teriam caído nessa... Pensando bem, nem nós!

Nossa vizinha é elegantemente européia. Invejo isso e não nego. Tivéssemos um pouquinho da bestice dessa gente seríamos muito melhores do que eles. E não somos?

O maior país de língua espanhola do mundo, não em população, mas em área territorial mora ao nosso lado e quase 100% da população é alfabetizada. Invejo isso e não nego. Faz diferença. Mandam bem na pecuária, no vinho, na agricultura e também na bola. Argh!!! Essa vizinha é tão boa que irrita... E como gostam de briga! Brigam por tudo e por nada. Brigaram pelas Falklands! Alguém já foi naquele lugar? Um frio cachorro, nenhuma vegetação, e muito mais longe que o fim do mundo! Não me venham falar em posição estratégica...

Só não dá pra entender, e isso merece um estudo sério, o porquê da invasão Argentina, especificamente em Búzios, que não fica nenhum pouco perto da fronteira. O que é que essa gente veio fazer aqui?

Eles vieram trazer o nariz em pé, o que já começou ajudando bastante. Muitos chegaram com uma mão na frente e a outra atrás. Mas, o ar de superioridade, só porque falavam outra língua, já impressionava os menos avisados. Muitos buzianos pensavam que eles fossem gringos. Argentino não é gringo. Argentino é argentino e não se fala mais nisso, tá? Muitos trabalharam muito e ainda o fazem até hoje. São considerados buzianos e participam integralmente da cidade. Outros defecam goma (argentino acha que não caga) falando da família nobre que vive em Buenos Aires, mas aqui não costumam pagar nem aluguel... Tudo bem, a gente também considera esses malas... Já fazem parte da história daqui!

Os turistas argentinos também consideram Búzios a melhor praia de seu país. Houve época que, não fosse por eles, não teríamos movimento na cidade! Argentina, Santa Vizinha, já vivemos muito às suas custas...

A terra do Tango também mandou de bom a Sonia Persini de presente pra gente. Só por isso já temos muito que agradecer. Eles perderam e nós ganhamos. Alguém conhece argentina mais educada, lúcida, eficiente, charmosa, elegante, delicada, inteligente, politicamente correta em Búzios? Mas, como os argentinos estão sempre tentando se vingar de nós sabe-se lá porque, também despacharam o Marcelo Lartigue. Sem comentários. É o luxo e o lixo.

O sujeitinho é pedante, descarado, louco e suicida. Veio de lá, da Argentina. Eu disse que essa vizinha dá de tudo...

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