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Somos todos irmãos

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Vera e Samuel no morro do Beach Club, na praia de GeribáQuem mora no Brasil e só conhece a história do Oriente Médio (principalmente os fatos envolvendo Israel e Palestina) por jornais e revista tem na verdade uma visão muito superficial da realidade. A convivência fratricida que imaginamos entre árabes e judeus não acontece com a frequência e nem tampouco com a violência que pensamos.

A grande verdade é que judeus e palestinos convivem pacificamente na maior parte do território disputado pelos dois Estados. Quem estraga tudo, e não é somente lá, são os políticos. Criaram um ambiente virulento e de final imprevisível, apenas para manter o poder.

Ninguém melhor para transcrever essa realidade que um judeu, amigo de palestinos. Samuel é judeu de pai e mãe. Porém um pouco tropicalizado. Morou por anos no Rio de Janeiro. Teve bar e restaurante na Vila Isabel e na Praça Senas Peña, na Tijuca. Foi lá que conheceu sua esposa Vera. Com quem é casado há 24 anos e tem um filho, batizado de Israel, em homenagem a terra sagrada.

Samuel esteve em Búzios semana passada, veio visitar seu mais novo amigo, nosso editor Marcelo Lartigue, a quem recebeu em sua casa em Jerusalém. Samuel não conhecia Búzios e ficou encantado com a cidade. Promete voltar. Antes de ir embora, conversou com o Perú Molhado no Bar do Mangue, no Porto da Barra.

Nascido em Golã (um dos lugares mais complexos do país), Samuel trabalha com sua esposa com segurança em espetáculos. Principalmente esportivos. Antes, tinha uma companhia de terraplanagem. Depois foi cuidar da plantação de azeitonas de sua família. Um acidente o deixou cinco anos de cama. Foram retirados 5 vértebras de sua coluna. Resultado: ficou 5 centímetros mais baixo.

-A vida em Israel é muito legal. Uma paz imensa. Tenho muitos amigos árabes. O problema são os políticos. O povo é legal, a política é que suja tudo. O Marcelo viu como é a vida lá, afirma Samuca, como é mais conhecido no Rio.

Para Samuel o atual Primeiro-Ministro Benjamin Netanyahu está fazendo um bom trabalho para seu povo. Reclama apenas do antecessor, o ex-primeiro-ministro Ariel Sharon, que tentou abrir o país, dialogar mais com os palestinos e nada conseguiu. A não ser, revoltar os judeus.

-Netanyahu teve um primeiro mandato complicado. Mas voltou com muito mais experiência. Sharon fez uma coisa muito louca. Entregou terras de graça, coisas que nós judeus nunca fizemos. Sempre havia uma troca. Ariel Sharon deu terrenos de graça aos Palestinos, tirou os judeus das casas dos assentamentos e entregou aos palestinos. Até hoje essas pessoas estão vivendo nas ruas. Não encontraram um lugar para viver. Sharon com sua atitude não conseguiu um milímetro de paz com os palestinos. A prova é que depois começou a construir um muro entre os dois países. Que também não é uma solução.

A maior diferença entre árabes e judeus, para Samuel, é o que se aprende na escola. Numa escola judaica, as crianças aprendem desde cedo que devem buscar sempre a paz, viver em paz e respeitar a todos. Já nas escolas árabes, as crianças são educadas para odiar os judeus. Independente de qualquer coisa, um árabe nasce para odiar os judeus.

Mesmo assim Samuel volta a lembrar que a maioria do povo árabe quer paz.

Israel é a única democracia da região do Oriente Médio. Tem a melhor renda per capta e o melhor sistema de ensino. Tecnologicamente Israel também é o país mais desenvolvido. Lá não tem água, mas não falta água. Há oito meses que não chove, afirmou Vera, esposa de Samuel. E mesmo assim nunca faltou água. Nem um dia sequer. As ruas são limpas, o sistema jurídico funciona e não faltam empregos.

Samuel lembrou que a atitude da diplomacia brasileira de se aproximar do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad poderá trazer inúmeros prejuízos financeiros para o Brasil. é que além de exportar diversos tipos de tecnologia para o Brasil, muitos judeus gostam de passar as férias aqui. Com a aproximação de Lula ao maior inimigo dos judeus (Ahmadinejad prega a extinção total dos judeus e refuta o holocausto onde mais de 6 milhões foram assassinados pelos nazistas) nosso país pode perder muito. principalmente no setor turístico.

- Está chegando o verão, o carnaval e o Brasil ainda vai receber uma Copa e as Olimpíadas. Os judeus adoram o Rio. Mas nos somos unidos. Mexeu com um, mexeu com todos. Amigo de nosso inimigo, não pode ser nosso amigo. Foi o diplomata brasileiro Oswaldo Aranha, então na presidência da ONU que criou o estado de Israel. Infelizmente, o Lula está indo para o lado dos maus. Com certeza os judeus ricos vão procurar outro lugar no mundo para passar suas férias. A Turquia faz algo parecido e se arrependeu. os turistas judeus sumiram de lá. O Brasil vai perder milhões de dólares com essa política equivocada, finalizou Samuel.

 
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