INÍCIO Região dos Lagos Cabo Frio Calou-se a voz de Cabo Frio

Calou-se a voz de Cabo Frio

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Em 1985 trouxemos o Grêmio Futebol Porto Alegrense a Cabo Frio para enfrentar o Tamoyo em um jogo comemorativo pela conquista do mundial interclubes. Naquela época havia uma única rádio na cidade que era AM 1530 Cabo Frio, de propriedade do Dr. Hilton Massa.

Durante os 15 dias que antecedia o evento, em um dos programas dessa rádio, havia umas pessoas que eram contrárias e não queriam que o Grêmio viesse a Cabo Frio. Isto porque não admitiam que um evento dessa envergadura acontecesse sem envolver aqueles que tinham o vício de se acharem os autores de todos os projetos da cidade.
Começaram então a fazer uma propaganda negativa, dizendo que o time que viria a Cabo Frio seria dos aspirantes ou reservas do Grêmio e não o time titular campeão do mundo.  Tudo isso na tentativa de esvaziar um projeto inédito em termos de futebol na nossa região.

Mas a rádio também tinha pessoas boas que já conheciam nossos projetos, como foi o caso do Levi de Moura, que comprou a idéia e sem qualquer interesse e fez toda a divulgação anunciando que o Grêmio estaria jogando em Cabo Frio completo.  No dia que o Grêmio chegou fui recebê-los no Galeão e rumamos para o ao Hotel Malibu: todo o plantel titular e diretoria estavam usando o terno do Grêmio, escrito Galiotto Empreendimentos na frente.

Quem também estava na frente do Hotel Malibu, juntamente com a população, era o Dr. Hilton Massa.  Na ocasião tínhamos reclamado que na rádio havia um programa que fazia uma propaganda negativa, com o intuito de esfriar o projeto. Foi quando o Levi de Moura falou com o Dr. Hilton Massa e ele pessoalmente foi verificar e confirmar que estava na frente de uma delegação campeã do mundo.

A partir daí ele disse que a rádio estaria no ar daquele momento até a realização dos jogos para prestigiar e divulgar o Grêmio, indo assim contra toda e qualquer propaganda negativa que havia sido feita em sua rádio, abrindo uma compensação inteligente em prol de um projeto que só trazia benefícios para a imagem da nossa cidade.

Mas o Dr. Hilton não tinha só essa virtude. Era uma pessoa altamente intelectual, escritor, e que durante os nossos 25 anos de projetos na área de cultura, na maioria dos concertos clássicos, a figura do Dr. Hilton se fazia presente. E em muitas das vezes se manifestando e dando alguns depoimentos.

Na primeira vez que trouxe a Cabo Frio a Orquestra Sinfônica Brasileira, com a regência do maestro Isaac Karabchevsky, na Marina do Canal, em 1987, para a abertura de verão, o Dr. Hilton Massa escreveu um histórico no Jornal Fluminense que dizia: “...divina música, um concerto inédito me foi dado de presente, trazido por um cidadão nascido em Flores da Cunha e que deu também um grande presente cultural a nossa cidade de Cabo Frio.”

Uma amizade construída desde a nossa chegada em Cabo Frio e nunca interrompida. Nossos pensamentos em prol da cidade tinham muita semelhança.

Acadêmico da Academia Cabofriense de Letras, participante dos eventos, representando a história e, porque não dizer, um arquivo vivo de todo o passado histórico de Cabo Frio.

Estar nesta cidade de Cabo Frio, que há 40 anos abraçamos e que nos envolveu em grandes projetos, tem grandes motivos: as suas belas praias, a natureza e as pessoas que a representavam e que, infelizmente, já se foram em um curto espaço de tempo, em especial este último que nos deixa, o nosso querido Dr. Hilton Massa, que vai deixar grandes saudades em muita gente. E nós cidadãos continuaremos dando tudo de nós e tudo de bom que podemos fazer para o crescimento, desenvolvimento e, principalmente, deixando algo especial para as futuras gerações, à exemplo do nosso amigo Hilton.
Por Ernesto Galiotto
 
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