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Vê se aprende, Mirinho

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Outro dia, ao comentar que iria até  a cidade de Silva Jardim entrevistar o prefeito local, um amigo buziano me fez a seguinte pergunta: mas o que a cidade de Silva Jardim têm a ver com Búzios e com o Perú Molhado? Expliquei que haviam vários motivos, mas que apenas três valeriam a viagem. Primeiro, pelo fato de Marcello  Cabreira Xavier, o Zelão (PT),  ter feito em seu primeiro mandato, mais que todos os prefeitos que passaram por aquela cidade em toda sua história. Zelão colocou Silva Jardim novamente no mapa do Brasil. Seus cidadãos (assim como os buzianos) haviam perdido a esperança, a auto-estima. Não foram poucas as vezes que Silva Jardim foi confundida com Belo Jardim. 

O município de Silva Jardim tem 938,336 km² de extensão, ou seja, mais de 13 vezes o tamanho de Búzios que tem apenas 69,287km². Silva Jardim tem 22 mil habitantes. Búzios tem 30 mil. Búzios tem orçamento público de 200 milhões de reais por ano. Silva Jardim apenas 80  milhões e mesmo assim, a cidade está bem melhor que a nossa. A diferença é que em Silva Jardim tem prefeito, Búzios não.

Outra jogada de mestre do Zelão (e de seu vice-prefeito Fernando Augusto) foi criar um banco e uma moeda comunitária, o Capiravi (em homenagem ao antigo nome da cidade) que de imediato, aumentou a renda dos moradores em 7,5% na média, pois para quem paga com Capivari, têm descontos entre 5% e 20% no comércio local. O negócio funciona assim: o cidadão recebe o salário em Reais, vai até o Banco   Comunitário e troca o quanto quiser por Capivari. Então usa a moda local em compras ou serviços com descontos na cidade e os comerciantes por sua vez, vão ao banco e trocam o Capivari por Reais ou, os usa para pagar seus impostos municipais. Com isso, o dinheiro fica na cidade, fortalecendo a economia local. 

O Banco Comunitário ainda empresta dinheiro para pessoas humildes. Gente que não têm acesso a rede bancaria tradicional. Os empréstimos vão até 800 reais, mas o prefeito pretende aumentar para dois mil reais. Não existe risco de falsificação da moeda pois a maior nota é de dez Capivaris e o mercado onde ela circula é pequeno. Não vale a pena. E se turistas começarem a levar a moeda como souvenir? Melhor ainda: dessa maneira o Banco Comunitário se capitaliza ainda mais, pois os Reais que lastreiam os Capivaris ficarão no banco da cidade. Quem carrega uma nota de dez Capivaris no bolso, na verdade guarda dez Reais.

O terceiro motivo desta matéria foi a criação da autarquia municipal pelo prefeito Zelão. Igual à Búzios, a cidade de Silva Jardim não tinha transporte público municipal. Os moradores tinham que pagar a tarifa dos ônibus intermunicipais, cerca de R$ 3,70, mesmo que fosse por apenas dois quilômetros - como acontece em nossa cidade. Pois bem: Zelão montou uma empresa municipal de transporte coletivo e instituiu a passagem social de apenas R$1,00. A autarquia não dá prejuízo nem lucro financeiro. Nem foi feita para isso. A idéia era oferecer a população um sistema de transporte seguro, regular, funcional, barato e eficiente. Hoje, 90% da população silva-jardinense usam o Expresso Capivari, composto por ônibus e microônibus novinhos em folha. Em Búzios só temos duas escolhas. Os ônibus caros da Salineira ou as apertadas vans das cooperativas. Uma vergonha. 

Com a  criação da autarquia do transporte público, o prefeito aumentou (via redução de gastos com passagens) a renda dos moradores de Silva Jardim em mais de 20%. Somado ao aumento conseguido com o deságio do Real em relação à moeda municipal, o povo de Silva Jardim teve um acréscimo de cerca de 30% na renda. Como  a maioria recebe salário mínimo, isso faz uma enorme diferença. Governar é fazer escolhas. O prefeito de Silva Jardim escolheu o povo, o prefeito de Búzios optou por privilegiar seus amigos empreiteiros, especuladores imobiliários, e financiadores de campanha. Por isso, tanta discrepância entre as duas cidades. Por isso, Zelão tem 80% de aprovação, enquanto Mirinho tem quase o mesmo percentual em desaprovação. 

De fato, para tentar entender a nossa cidade, temos que fazer comparações. Senão, vamos continuar nos enganando para sempre. Para se ter uma idéia do que estamos falando, enquanto Búzios, a sexta cidade turística mais importante  do Brasil tem, segundo o IBGE 27% de desempregados (o Brasil tem 6%), a cidade de Silva Jardim têm apenas 1% da população em idade de trabalho, sem emprego. Enquanto o prefeito de Búzios não construiu uma creche sequer, o prefeito de Silva Jardim apenas no primeiro ano do seu mandato construiu 4. Fora as escolas que reformou  e ou construiu. Mesmo com muito menos recursos. A verdade, é que estamos vivendo um a grande mentira administrativa. Desde a nossa emancipação.
 
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